Eu quero o lugar do João!

Esta personagem da Bíblia tem, nos últimos dias, sido lembrada e lembrada por mim. Comecei a ser despertada para quem esta pessoa era, com a leitura de um livro sobre adoração. A minha mente não para de imaginar quem ele era, como se comportava, quem chegou a ser, como tudo começou.

A primeira referência clara sobre esta personagem é em Mateus 4:21-22 e em Lucas 5:1-11. É quando conhecemos João. Filho de Zebedeu, irmão de Tiago e sócio de Simão Pedro, todos pescadores de profissão. Junto ao lago de Genesaré, Jesus vê dois barcos parados no lago, mas com os pescadores fora deles, lavando as redes. Aqueles pescadores tinham passado toda a noite a pescar, sem sucesso algum. Jesus aproximou-se deles e deu-lhes uma ordem: “Velejai para o profundo, e lançai as redes para um arrastão”. Simão Pedro, impulsivo e rápido nas respostas, logo Lhe fez saber que a pescaria da noite não tinha surtido efeito algum, mas iriam obedecer, lançando as redes com base na “Sua Palavra”.

O milagre sucedeu e os barcos encheram-se de peixes! Visto isto, Simão, de novo, prostra-se e reconhece a Sua identidade! Jesus simplesmente lhe responde: “Não temas; de agora em diante serás pescador de homens!”

A Bíblia diz, em Lucas 5:11: “E, levando os seus barcos para terra, eles abandonaram tudo, e o seguiram”. Em Mateus 4:22 vai mais fundo e declara: “E eles, imediatamente, deixando o barco e seu pai seguiram-no”.

Isto faz-me pensar tanto! Primeiro, a chamada, a grande chamada audível e direta foi para Pedro e não para nenhum dos outros. “Serás pescador de homens” foi dito a Pedro. Mas essa promessa dita a Pedro, juntou os primeiros quatro discípulos do Mestre. Interessante é, também, ver como eles procederam. “Imediatamente”, “abandonaram tudo”, “deixando o barco e seu pai” e “seguiram-no”, são palavras que denotam prontidão, rapidez na decisão. Aqueles quatro rapazes não ficaram a pensar, não foram para uma montanha isolados ter uma conversa com Deus, nem sequer pediram conselho a ninguém! Eles viram o milagre, foram chamados e responderam a essa chamada! Ainda não sabiam tudo, aliás, não sabiam nada, mas decidiram aceitar aquele convite! Não consigo sequer imaginar como foi isso, porque tinham uma vida, um ganha-pão e, de repente, decidem deixar tudo para trás e seguir Jesus!

Os historiadores apontam que João teria cerca de 24 anos de idade quando respondeu à chamada de Jesus. Um jovem, que renunciou à sua própria vida, aos sonhos pessoais que muito certamente teria (a pesca, às vezes, não dava nada, não seria com certeza o sonho de uma vida de um jovem de 24 anos!) e aos deleites da juventude (e não pensem, os jovens de hoje, que era tudo diferente naquela altura, porque também existiam festas, bebedeiras, adoração a outros ídolos, prostituição!). Este jovem renunciou a tudo o que seria considerado normal para a sua idade, para viver em total dependência do Mestre!

Se formos analisar cada detalhe da história de Jesus e de João, vamos ver que este está presente nos grandes acontecimentos, nos milagres, nas curas. Com poucas falas, talvez, com pouca intervenção (mais depressa vemos Pedro a interpelar, a perguntar, a afirmar), mas nota-se crescimento e maturidade ao longo dos três anos e meio que durou o ministério de Jesus.

Podíamos estar horas a meditar, a ler sobre esta personagem. Mas ressalto dois grandes momentos da história de João. O primeiro, é na Ceia do Senhor. E é este cenário que me faz dizer:

“Eu quero o lugar do João”!

João 13 relata-nos a última noite em que Jesus partilha com os Seus discípulos. Depois de lhes lavar os pés, ensinando-lhes humildade e serviço, Jesus “lança a bomba”: Ele sabe que um dos seus amados discípulos, “a quem Ele amou até ao fim” (vs. 1), irá traí-lo! Isso traz espanto, dúvida e receio no meio deles. O versículo 23 diz:

Ora, achava-se reclinado sobre o peito de Jesus um dos seus discípulos, aquele a quem Jesus amava.

UAU! “Eu quero o lugar do João”! Eu quero estar ali, reclinada no peito de Jesus, estar perto Dele e ser a escolhida para Lhe fazer as perguntas complicadas! Sim, porque o versículo 24 diz:

Portanto, Simão Pedro acenou a este, para perguntar quem era aquele de quem ele falava”.

Vamos ser sinceros! Quantos de nós já não fizemos isto? Se sabemos que há um “preferido”, há alguém “mais próximo”, que tem “mais confiança”, “mais intimidade”, nós pedimos: “Vai lá tu perguntar! A ti ele responde”!

Era isto que João era para Jesus: um íntimo! Alguém de confiança, mais próximo Dele!

E sabes qual foi a resposta de Jesus?

Versículo 26: “Jesus respondeu: Ele é este, a quem eu der o bocado que eu mergulhei. E quando ele mergulhou o bocado, deu-o a Judas Iscariotes, filho de Simão.

O português diria: “Para bom entendedor, meia palavra basta”! Jesus deu a resposta.

Vamos parar um pouco neste cenário maravilhoso e pensar: Quantos de nós queremos respostas de Deus? Assim, claras, sem dúvidas? Quantos de nós não andamos, tantas vezes, em busca de respostas, de sinais? Quantos não estamos até à espera que alguém pergunte por nós? Sim, quantas vezes não pensamos: “Deus, fala àquela pessoa sobre mim, dá-lhe uma palavra sobre mim”? Somos mais como Pedro do que alguma vez seremos como João!

João era íntimo! Ele estava tão perto de Jesus que chegou ao ponto de se deitar no colo Dele, ouvir as batidas do Seu coração e saber os mistérios do que iria suceder!

Vou voltar a dizer: “Eu quero o lugar do João”!

Jesus tinha muitas pessoas que o seguiam: tinha a multidão, que O seguia pelos milagres; os religiosos que queriam apanhá-Lo em falta, em incoerência e erros doutrinários; os seguidores, que se transformaram, alguns, em discípulos, e eram conhecidos porque tinham o poder e a autoridade delegada por Jesus e pregavam, curavam e libertavam os oprimidos. Mas estes contentaram-se por serem usados, mas nunca se preocuparam em ser íntimos! E aí aparece João, o íntimo de Jesus! É importante lembrar que a Bíblia diz que Deus não faz aceção de pessoas; significa isto, que Deus não age por favoritismos! Não era Jesus que, dentre os dozes discípulos, preferia João. Pelo contrário, João é que preferia Jesus. João não se conformou em ser chamado e usado por Ele. João quis ir mais além nesta relação e quis ser Seu amigo íntimo!

O outro momento que me impacta da história de João, é na crucificação do Seu Amigo Jesus! A Bíblia relata que João seguiu Jesus desde o momento em que Ele foi levado do Getsemâni. Foi o único suficientemente corajoso para o acompanhar até ao fim. Nunca o perdeu de vista e, na crucificação, ali estava ele ao lado da mulher usada por Deus para trazer Jesus à terra: Maria.

João 19:26-27 diz:

Ora, Jesus, vendo ali a sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, ele disse à sua mãe: Mulher, contemple o teu filho! Então ele disse ao discípulo: Contemple a tua mãe! E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua própria casa.

A Bíblia mostra que Jesus teve outros irmãos, filhos de Maria (Mateus 13:55). Mas Ele era o mais velho, logo tinha a responsabilidade de cuidar da mãe após a morte de José. Não obstante os laços familiares (onde estavam os irmãos na hora da Sua morte?), Jesus elegeu João para cuidar da sua mãe.

Que linda amizade esta! Só confias os teus em quem confias a tua vida! E Jesus confiava em João. Não era o mais expressivo, não era o mais valente nem o mais desafiador. Mas era o íntimo.

João escreveu:

Este é o discípulo que testificar dessas coisas e escreveu estas coisas, e nós sabemos que o seu testemunho é verdadeiro. E há ainda também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se cada uma fosse escrita, eu suponho que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que seriam escritos. Amém.” (João 21:24-25).

Que mistérios escondeste tu de nós, João? Que coisas mais fez Jesus que nós nunca vamos saber?

Samo 25:14 – “O segredo do Senhor está com aqueles que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto”.

Os segredos são para os íntimos! Quem queres tu ser? A tua resposta determina a relação que tens com Deus!