“Tomei uma criança pela mão…”

No seu livro Christian Nurture of Children, Alta Mae Erb deixa 3 parábolas:

Tomei uma criança pela mão, a fim de andarmos juntas parte do caminho. Eu deveria levá-la ao Pai. A tarefa amedrontou-me, tão terrível me pareceu a responsabilidade. Falei, então, com a crianças apenas sobre o Pai. Pintei a severidade do Pai, caso ela o desagradasse. Andámos sob as árvores altas e eu disse que o Pai tinha poder para derrubá-la num minuto com os Seus poderosos raios. Andámos ao sol e falei-lhe sobre a grandeza do Pai, que fez o sol ardente, esplendoroso. Ao cair da tarde um dia, encontrámo-nos com o Pai. A criança escondeu-se por trás de mim; tinha medo, não queria olhar para aquela face tão cheia de amor. Ela lembrou-se da minha descrição; não quis colocar a sua mãozinha nas mãos do Pai. Fiquei entre a criança e o Pai. Refleti. Eu tinha sido tão conscienciosa, tão séria.

Tomei uma criança pela mão. Eu deveria levá-la ao Pai. Senti-me esmagada pela multidão de coisas que deveria ensinar-lhe. Não nos demorámos; corremos todo o caminho. Num minuto comparávamos as folhas das árvores e no seguinte examinávamos o ninho de um pássaro. Enquanto a criança me fazia perguntas a respeito, eu a empurrava para caçar uma borboleta. Se por acaso adormecia eu a despertava, a fim de que não perdesse nada. Eu queria que ela visse tudo. Falámos do Pai muitas vezes e rapidamente. Derramei em seus ouvidos todas as histórias que deveria saber, mas em diversas ocasiões fomos interrompidas pelo soprar do vento, do qual devíamos falar; pelo riacho murmurante, que precisávamos acompanhar até sua fonte. E então, ao cair do dia, encontrámos o Pai. A criança olhou-o de relance. O Pai estendeu-lhe a mão, mas ela não se interessou o bastante para tomá-la. Pontos febris queimavam em seu rosto, ela caiu exausta no chão e adormeceu. Eu estava de novo entre a criança e o Pai. Refleti. Eu ensinara-lhe tantas, tantas coisas.”

“Tomei uma criança pela mão para levá-la ao Pai. Meu coração estava cheio de gratidão pelo alegre privilégio. Andámos devagar. Moderei os meus passos pelos dela. Falámos das coisas que a criança ia notando. Algumas vezes era um dos pássaros do Pai: observámos quando construía o seu ninho e vimos os ovos que nele depositava. Conversámos depois sobre os cuidados que ele tinha com os filhotes. Outras vezes apanhávamos as flores do Pai e acariciávamos as pétalas macias, apreciando as suas lindas cores. Com frequência contávamos histórias do Pai. Eu contava-as à criança e ela para mim. Nós contávamos uma para a outra, essas histórias, repetidamente. De tempo em tempo parávamos, encostando-nos nas árvores do Pai e deixando que o ar feito por Ele refrescasse o nosso rosto, sem falar. E então ao fim do dia, encontrámos o Pai. Os olhos da criança brilharam. Ela olhou com amor, confiança e alegria para a face do Pai, colocando a sua mão na mão dele. Naquele momento fui esquecida. E alegrei-me.”

 

Que forma tão preciosa de falar da influência que temos sobre as nossas crianças! Estamos tão focados em tantas outras coisas, que muitas vezes perdemos o foco do que realmente importa! Muitos querem influenciar os de fora, mas a questão é saber se as vidas de quem mora dentro estão a ser transformadas, melhoradas, alinhadas!

De dia 16 a 22 de novembro, partilharei mensagens por escrito e em vídeo, uma por dia, sobre as “Sete Necessidades Básicas da Criança”, baseadas no livro de John Drescher, com estes mesmo título, cuja leitura me impactou tanto que não posso ficar com todos estes segredos só para mim. Quero partilhar consigo que é pai, mãe, educador. Todas os dias falarei de uma das sete necessidades básicas das crianças. Das suas crianças. E da criança que você também já foi e, talvez, com estas mensagens compreenderá tantas necessidades e desafios que sente hoje. Estamos a tempo, vamos aproveitá-lo!